A dimensão do desastre vai além das áreas onde houve desabamentos
Seis dias após os terremotos que devastaram a Venezuela, as equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de sobreviventes sob os escombros. O balanço oficial aponta 1.719 mortos, 5.034 feridos e 15.866 desabrigados. De acordo com uma estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas.
O maior sismo em um século
Com o passar das horas, cresce a preocupação entre as autoridades. Além disso, quanto mais o tempo passa, menores as chances de encontrar pessoas com vida entre os escombros. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes. Depois desse período, as operações costumam se concentrar na retirada de cadáveres.
Na noite da última quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Além disso, os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Resposta do governo e balanço de danos
Diante da crise, a presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que as equipes manterão as operações de resgate e anunciou um plano para atender as famílias que perderam suas casas. O balanço preliminar aponta que mais de 770 edifícios sofreram desabamentos totais ou parciais, entre imóveis residenciais, comércios e hospitais.
Milhões de afetados
A dimensão do desastre vai além das áreas onde houve desabamentos. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à ONU, calcula-se que os terremotos possam ter afetado mais de 6 milhões de pessoas.
Enquanto escavam os escombros, socorristas enfrentam temperaturas elevadas e a necessidade de remover destroços manualmente. Relatos feitos por pessoas que acompanham o trabalho das equipes descrevem que o cheiro provocado pela decomposição dos corpos se torna mais intenso a cada dia.
Cidades atingidas e situação dos aeroportos
La Guaira concentra a maior parte da destruição. O desastre também atingiu Caracas e Maiquetía, cidade que abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, ainda fechado. Em contrapartida, outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, já retomaram as operações.
Foi apenas no domingo que missões internacionais de resgate começaram a chegar em grande número a La Guaira. Antes disso, moradores relataram frustração com a resposta das autoridades e afirmaram que boa parte dos primeiros socorros foi organizada por voluntários e pela própria população.
Novos tremores
Na última segunda (29), a Venezuela registrou mais um tremor de terra. Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a magnitude foi de 4,6 e o epicentro foi em Caraballeda, no litoral norte do país, a cerca de 30 km da capital, Caracas, às 7h do horário local — 8h em Brasília.
Na sexta-feira (26), já havia acontecido um terceiro terremoto, com magnitude parecida com a desta segunda-feira, bem menor do que a dos dois primeiros. Na manhã de domingo (28), também foram registrados abalos de magnitude 4,2 e 4,5.