Janja explicou que decidiu tornar o relato público para reforçar que nenhuma mulher está totalmente protegida contra esse tipo de situação
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, afirmou que sofreu assédio após assumir a função e acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em compromissos públicos. A declaração foi dada na segunda-feira (13), durante o programa Frente a Frente, parceria entre a Folha de S.Paulo e o UOL. Ela não identificou os supostos autores nem detalhou as circunstâncias dos episódios.
Janja já havia feito o relato em março
Quando a questionaram sobre não ter divulgado os casos anteriormente, ela afirmou que a decisão sobre quando falar cabe à mulher que sofreu a violência.
Janja explicou que decidiu tornar o relato público para reforçar que nenhuma mulher está totalmente protegida contra esse tipo de situação, mesmo quando ocupa uma posição de destaque e está acompanhada por equipes de segurança.
A primeira-dama já havia abordado o assunto em março deste ano, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Na ocasião, afirmou ter sofrido assédio duas vezes desde que se tornou primeira-dama, mas também não apresentou detalhes sobre os episódios.
Apoio a Anielle Franco motivou comentário
O tema surgiu enquanto Janja comentava o apoio dado à ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco após as denúncias de assédio envolvendo o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, em 2024. Almeida negou as acusações, e o presidente o afastou do governo.
Durante a entrevista, Janja criticou a cobrança para que mulheres denunciem imediatamente situações de assédio. Para ela, questionamentos sobre o momento escolhido para falar acabam transferindo para quem sofreu a violência uma responsabilidade que deveria recair sobre o agressor.
A primeira-dama também relacionou o relato à atuação no enfrentamento da violência de gênero. Em fevereiro de 2026, ela participou do lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa dos Três Poderes voltada à prevenção, à proteção das vítimas e à responsabilização de agressores.