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Com Lula, dívida pública sobe 10,2 pontos do PIB em três anos

Com Lula, dívida pública sobe 10,2 pontos do PIB em três anos

Os dados históricos mostram mudanças na trajetória do endividamento entre diferentes governos

Na última sexta-feira (03), dados divulgados pelo Banco Central mostram que a dívida bruta do governo chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho de 2026. Nesse sentido, o valor equivale a cerca de R$ 10,8 trilhões e representa alta de 10,2 pontos percentuais desde o fim de 2022.

Anos anteriores ao governo Lula

Ao final de 2022, antes do início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida correspondia a 71,7% do PIB. Com os 81,9% registrados em junho, o indicador alcançou o maior nível desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB.

Em termos relativos, a passagem de 71,7% para 81,9% representa um aumento de 14,2% na relação dívida/PIB. Já em pontos percentuais, medida usada para comparar a mudança do indicador, a alta foi de 10,2 pontos.

O cenário atual do endividamento brasileiro

A dívida bruta reúne obrigações do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. Em maio de 2026, ela estava em 81,1% do PIB, ou R$ 10,6 trilhões, segundo o Banco Central. Naquele mês, os juros tiveram peso de 0,9 ponto percentual na variação mensal da dívida.

Evolução histórica nos diferentes governos

Os dados históricos mostram mudanças na trajetória do endividamento entre diferentes governos. Pelo critério do FMI apresentado na série, houve queda de 11,5 pontos do PIB no primeiro governo Lula e de 2,2 pontos no segundo. No primeiro mandato de Dilma Rousseff, o recuo foi de 0,8 ponto.

No segundo mandato de Dilma, até agosto de 2016, houve alta de 10,7 pontos. Durante o governo de Michel Temer, o avanço foi de 12,5 pontos. No período de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, houve recuo de 0,8 ponto, enquanto no terceiro mandato de Lula a alta parcial é de 10,2 pontos até junho de 2026.

Diferenças nas metodologias de cálculo

O FMI mantém uma base histórica para acompanhar a dívida pública dos países em relação ao PIB. A instituição também utiliza metodologia própria para calcular a dívida do governo geral, que pode apresentar números diferentes dos divulgados pelo Banco Central brasileiro.

Entre as medidas adotadas desde o início do atual governo estão a PEC da Transição, que ampliou o espaço para despesas; a retomada dos reajustes reais do salário mínimo; a volta dos pisos de saúde e educação ligados à receita; o pagamento de precatórios e os reajustes concedidos a servidores públicos.

A relação entre dívida alta e taxa de juros

Em 2023, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, relacionou o nível de endividamento do país ao custo dos juros.

– Na parte dos juros, a gente não pode confundir causa e efeito. A dívida não é alta porque o juro é alto. É o contrário, o juro é alto porque a dívida é alta. Quando você endividado vai ao banco, e o banco faz uma análise que você é endividado e não paga a dívida, o juro é alto – declarou Campos Neto, na ocasião.

Projeções para os próximos anos

O Banco Central informou em junho que suas projeções indicavam continuidade da trajetória de alta da dívida nos próximos anos. O cenário do PLDO 2027 apontava a dívida bruta em 87,8% do PIB em 2029, enquanto a mediana das projeções do mercado consultadas pelo Focus indicava 83,3% para o fim de 2026.

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Leilane vilaça

Escritor e colunista

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