Mesmo em liberdade, o pastor mantém uma preocupação: a situação dos oito líderes da Zion que continuam presos
A perseguição religiosa promovida pelo governo chinês não tem conseguido conter o avanço da Igreja. Essa é a avaliação do pastor Ezra Jin, líder da Igreja Zion, que acredita que a pressão exercida pelo regime comunista poderá, paradoxalmente, preparar o cenário para um novo avivamento no país.
Vigilância e repressão
Jin passou anos sob vigilância e repressão das autoridades chinesas e foi libertado da prisão em julho, após pressões diplomáticas e apelos do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder chinês Xi Jinping. Atualmente, ele vive com a família em território americano.
Mesmo em liberdade, o pastor mantém uma preocupação: a situação dos oito líderes da Zion que continuam presos. Em entrevista ao The Christian Post, ele pediu orações pela libertação dos companheiros e pelo fim da perseguição aos cristãos. “Oro, e espero que outros se juntem a mim nesta oração, para que o presidente Xi pare a perseguição aos cristãos”, afirmou.
Crescimento em meio à repressão
Para Jin, a história recente da Igreja chinesa demonstra que a repressão não necessariamente produz o enfraquecimento da fé. Em alguns casos, segundo ele, as dificuldades acabam fortalecendo os cristãos e impulsionando a expansão das comunidades.
O pastor cita a própria trajetória da Igreja Zion como exemplo. Apesar das restrições impostas pelo governo, a rede de igrejas domésticas avançou para diferentes regiões do país.“Ao longo de três anos, estabelecemos mais de 100 igrejas em mais de 40 cidades”, relatou.
Jin também compara o cenário atual com o período anterior à Revolução Chinesa. Segundo ele, o número de protestantes no país passou de aproximadamente 700 mil, em 1949, para mais de 80 milhões atualmente. “Desde a tomada comunista, a Igreja suportou uma repressão raramente vista na história. Houve um enorme crescimento do cristianismo na China”, destacou.
Na avaliação do pastor, esse crescimento demonstra a capacidade da fé cristã de permanecer mesmo diante de forte pressão estatal.
“Veremos outro avivamento”
A expectativa de Jin é que a Igreja chinesa experimente uma nova fase de crescimento quando o ambiente político se tornar menos restritivo. Para ele, a perseguição funciona como uma espécie de prova para os cristãos: enquanto alguns podem abandonar a fé diante das dificuldades, outros se tornam ainda mais firmes.
“É provável que haja uma reação muito forte em toda a sociedade. A fé é algo interior, e a pressão externa não consegue arrancá-la”, explicou.
O pastor acredita que, quando houver uma mudança no cenário, a fé fortalecida durante o período de repressão poderá se expandir rapidamente. “Então, vocês poderão ver frutos a 30 vezes mais, a 60 e até a 100 vezes mais. Creio que, enquanto eu ainda estiver vivo, verei a China vivenciar outro enorme avivamento”, declarou.
Igreja sob vigilância
A Igreja Zion entrou na mira das autoridades chinesas em 2018, quando foi proibida após resistir à instalação de câmeras de vigilância em sua sede, em Pequim. Desde então, diversas congregações ligadas à rede foram investigadas ou fechadas.
Em outubro de 2025, cerca de 30 líderes da igreja foram presos durante operações realizadas simultaneamente em diferentes cidades. Ezra Jin estava entre os detidos. Apesar da repressão, estimativas indicam que a Zion reúne mais de 5 mil cristãos e mantém mais de 100 locais de culto espalhados por aproximadamente 40 cidades chinesas. Sem templos oficiais, parte das reuniões acontece em apartamentos, restaurantes e outros espaços utilizados pelas comunidades domésticas.