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Porta-voz do Exército de Israel agradece evangélicos: ‘É preciso coragem para nos apoiar’

Porta-voz do Exército de Israel agradece evangélicos: ‘É preciso coragem para nos apoiar’

Durante uma palestra na Igreja Batista de Perdizes, em São Paulo, o major da reserva Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) para países de língua portuguesa, revelou uma das principais motivações de suas frequentes visitas às igrejas evangélicas brasileiras: agradecer pelo apoio a Israel, especialmente desde os ataques de 7 de outubro de 2023.

“Reconhecer o bem”

Segundo Rafael, que concedeu entrevista exclusiva ao Guiame, essa postura está ligada a um princípio profundamente valorizado pelo povo judeu chamado Hakarat HaTov, expressão hebraica que significa “reconhecer o bem”. O conceito se refere à responsabilidade de reconhecer a bondade recebida e honrar aqueles que a praticaram.

“Nós temos essa qualidade de sempre buscar reconhecer quem faz bondade com nosso povo”, afirmou Rafael.

Mobilização de cristãos evangélicos

O major destacou que, em um dos momentos mais difíceis enfrentados por Israel, viu cristãos evangélicos se mobilizarem em oração e demonstrarem publicamente seu apoio ao país.

“Vimos a comunidade evangélica se levantar em oração, demonstrando apoio com coragem e determinação”, disse.

Para Rafael, manifestar esse apoio em meio às críticas internacionais dirigidas a Israel exige posicionamento.

“É preciso realmente muita coragem, porque Israel é acusado de genocídio, de agir de forma desproporcional – e não é simples orar por um Estado que carrega tantas acusações. Mesmo assim, há pessoas que permanecem firmes, dispostas a apoiar Israel apesar de toda a pressão. Isso não é trivial”, declarou.

“Por isso, faço questão de visitar as comunidades evangélicas, principalmente para agradecer”, acrescentou.

‘Reconhecer o bem’

Durante a palestra, Rafael recorreu à narrativa bíblica do Livro de Êxodo para explicar o significado de Hakarat HaTov.

Antes da saída dos israelitas do Egito, Deus ordenou a Moisés que dissesse a Arão para estender seu cajado sobre as águas, transformando-as em sangue, na primeira das dez pragas (Êxodo 7:19-20).

Embora o texto bíblico não apresente a razão para Arão executar a ordem, a tradição judaica associa o episódio ao princípio da gratidão: Moisés não deveria ferir as águas que haviam participado de sua preservação quando ainda era um bebê.

Conforme o relato de Êxodo, a mãe de Moisés o colocou em um cesto entre os juncos às margens do Nilo para protegê-lo do decreto de Faraó contra os meninos hebreus (Êxodo 2:1-10).

“O Nilo foi onde Moisés foi salvo; ele precisava demonstrar Hakarat HaTov, reconhecer a bondade do rio que o preservou”, explicou Rafael.

Nessa interpretação da tradição judaica, Arão foi o agente da primeira praga porque Moisés tinha uma espécie de dívida de gratidão com as águas que haviam contribuído para sua sobrevivência.

Apoio em tempos difíceis

Rafael relacionou esse princípio diretamente à postura que afirma ter encontrado entre os evangélicos desde o início da guerra desencadeada pelos ataques de 7 de Outubro.

Para o major, reconhecer aqueles que se levantaram em oração e manifestaram solidariedade a Israel em um período de forte pressão internacional é uma aplicação contemporânea de Hakarat HaTov.

É também por esse motivo que, durante suas passagens pelo Brasil, ele inclui igrejas e comunidades cristãs em sua agenda de palestras, onde fala sobre Israel, o 7 de Outubro e os desafios de comunicação enfrentados pelo país.

“10 Leis da Comunicação Estratégica”

Em sua atual passagem pelo Brasil, Rafael também está lançando seu segundo livro, “10 Leis da Comunicação Estratégica”. A obra sucede “Guerra de Narrativas” e apresenta princípios sobre como construir credibilidade, proteger reputações, enfrentar crises e fazer com que uma mensagem não seja apenas ouvida, mas compreendida.

Para o porta-voz, porém, a presença nas igrejas possui um significado que vai além das palestras: é uma oportunidade de colocar em prática o princípio que apresentou aos cristãos brasileiros.

“Nós temos essa qualidade de sempre buscar reconhecer quem faz bondade com nosso povo”, reiterou.

Com informações de Guiame.com

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Leilane vilaça

Escritor e colunista

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