A secretaria informou que não autorizou a realização do mutirão nem a execução das cirurgias
Onze pacientes precisaram passar por evisceração ocular (cirurgia em que médicos removem o conteúdo interno do olho), após complicações provocadas por cirurgias de catarata realizadas durante um mutirão em 26 de fevereiro, em uma clínica de Salvador.
Pacientes seguem sob monitoramento
As informações foram atualizadas na terça-feira (10), pela SMS (Secretaria Municipal da Saúde).
De acordo com a pasta, 26 pacientes continuam sendo monitorados após os procedimentos de catarata realizados na unidade, sem previsão de alta no momento. Entre eles, os 11 que passaram pela retirada do conteúdo do olho permanecem sob acompanhamento especializado.
Clínica foi interditada após denúncias
As cirurgias foram feitas em uma unidade que atendia pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A SMS informou que a prefeitura interditou a clínica Clivan e suspendeu o contrato com a unidade após o surgimento de denúncias de complicações graves no pós-operatório.
Mais de 100 cirurgias realizadas no mesmo dia
Segundo a SMS, a equipe médica realizou 138 procedimentos cirúrgicos no local no dia 26 de fevereiro. Desse total, 26 ocorreram na sala onde a equipe registrou intercorrências. Entre os pacientes operados nesse espaço, 25 apresentaram complicações após a cirurgia e passaram a receber acompanhamento da rede municipal de saúde. Até o momento, apenas uma paciente não relatou queixas e tem consulta de revisão agendada.
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Mutirão não teria autorização da Secretaria de Saúde
A secretaria informou que não autorizou a realização do mutirão nem a execução das cirurgias realizadas na data. De acordo com o órgão, a realização de procedimentos sem autorização prévia do gestor do SUS descumpre o fluxo regular de regulação e a relação contratual com o sistema público, sendo considerada uma irregularidade grave.
Pacientes vieram de Salvador e de outras cidades
Levantamento da pasta, com base no Cadastro Nacional de Saúde, indica que 14 pacientes são moradores de Salvador e 11 vieram de outros municípios. Além disso, a secretaria também identificou que profissionais registraram oito solicitações de autorização para cirurgia apenas em 2 de março, após o surgimento das complicações.
Prefeitura adotou medidas administrativas
Após tomar conhecimento das denúncias, a prefeitura informou portanto, ter adotado medidas imediatas. A prefeitura interditou a clínica, suspendeu o alvará sanitário e cancelou o convênio com o município. Além disso, a prefeitura instaurou um processo administrativo sanitário e informou o caso ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia.
Pacientes são atendidos em hospitais de referência
Por fim, os pacientes afetados estão sendo acompanhados em serviços de referência, como o Hospital Geral do Estado e o Hospital Santa Luzia.
Procurada pela reportagem, a clínica Clivan não havia se manifestado até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para esclarecimentos.