A proposta não atingiu o quórum mínimo necessário de votos para ser aprovada no plenário. O projeto buscava homenagear o artista pelo seu protagonismo no premiado filme “O Agente Secreto”.
A Câmara Municipal do Recife rejeitou, em sessão realizada nesta segunda-feira (27), o projeto de decreto legislativo que concederia o título de Cidadão Recifense ao ator, diretor e roteirista baiano Wagner Moura. Portanto, a proposta acabou esbarrando no número mínimo de aprovações exigido pelo regimento interno da Casa Legislativa, resultando no arquivamento oficial da matéria.
Como foi a votação na Câmara Municipal?
Para que um título de “Cidadão do Recife” seja aprovado para Wagner Moura, o regimento exige o apoio de, no mínimo, três quintos dos vereadores, o que equivale a 23 votos favoráveis do total de 37 parlamentares. O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 01/2026, no entanto, não conseguiu mobilizar o quórum necessário durante a sessão em plenário.
O resultado do painel eletrônico registrou:
- Votos a favor: 16
- Votos contrários: 7
- Resultado final: Proposta rejeitada e arquivada por não atingir os 23 votos mínimos.
Junto com a honraria ao ator, os vereadores também votaram e rejeitaram, pelos mesmos motivos de quórum, o PDL 02/2026, que previa a concessão da Medalha de Mérito José Mariano à secretária municipal de Saúde, Luciana Albuquerque, após um acordo para votar ambos os projetos em bloco.
A motivação do projeto e o sucesso de “O Agente Secreto”

A autoria do projeto foi do vereador Carlos Muniz (PSB). A principal justificativa para homenagear o artista baiano era a sua profunda imersão cultural e o impacto internacional gerado pelo filme “O Agente Secreto”. Por isso, a produção, ambientada no Recife da década de 1970 e dirigida pelo aclamado cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, colocou a capital no centro dos holofotes da indústria cinematográfica global.
Segundo a defesa do parlamentar, Wagner Moura teria “imprimido o DNA recifense em seu personagem”. Sendo assim, o sucesso do filme em 2026 foi inquestionável: a obra recebeu quatro indicações ao Oscar e brilhou no Globo de Ouro, conquistando as estatuetas de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e de Melhor Ator de Drama para o próprio Wagner Moura.
O debate político sobre os critérios para homenagens
Apesar do peso cultural da indicação, a sessão na Câmara foi marcada por divergências sobre o foco dos trabalhos legislativos. Por isso, o debate em plenário evidenciou um questionamento sobre os critérios adotados pela Casa para a concessão de honrarias e títulos honoríficos.
O vereador Eduardo Moura (Novo), que pediu o destaque para retirar o projeto da votação em lote, criticou a utilidade prática da medida. Além disso, pontuou a necessidade de focar em ações que afetem diretamente o dia a dia da população. “Temos demandas importantíssimas nesta Casa, mas se a gente mesmo não valoriza, quem é que vai valorizar?”, questionou o parlamentar durante o debate que antecedeu a rejeição do título.