Apesar do alerta e do monitoramento a bordo de um cruzeiro, a Organização Mundial da Saúde ressalta que o risco de contágio para a população em geral permanece baixo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta epidemiológico nesta terça-feira (5) após identificar a suspeita de transmissão de hantavírus de pessoa para pessoa a bordo de um navio de cruzeiro. O caso, considerado atípico pela comunidade científica. Por isso, mobilizou autoridades sanitárias internacionais para monitorar os passageiros e a tripulação. Dessa forma, a iniciativa busca rastrear a origem exata da infecção e a possível cadeia de contágios no ambiente marítimo.
A raridade do contágio interpessoal
O hantavírus é conhecido por ser uma zoonose grave, transmitida aos seres humanos quase exclusivamente por meio da inalação de partículas aerossolizadas provenientes da urina, das fezes ou da saliva de roedores silvestres infectados. O contágio direto entre humanos é um evento raríssimo na literatura médica. Portanto, através de documentos históricos, apenas com cepas muito específicas, a exemplo do vírus Andes, encontrado em algumas regiões da América do Sul.
Até o momento, três pessoas morreram, sendo um casal holandês e um cidadão alemão. Além disso, outras duas pessoas com sintomas de hantavírus permanecem a bordo do navio.
A confirmação de um surto interpessoal em um ambiente confinado, como os corredores e cabines de um cruzeiro, representa um desafio sanitário complexo. Navios de passageiros possuem sistemas de ventilação compartilhados e grande concentração de pessoas. Por isso, facilita a disseminação de patógenos respiratórios e exigem respostas de contenção imediatas.
Avaliação de risco e medidas de segurança
Apesar da gravidade da suspeita e do isolamento necessário na embarcação, a OMS adotou um tom de cautela para evitar alarde internacional. A agência destacou em seus boletins que, de acordo com as análises preliminares, o risco de disseminação da doença para a população global é considerado baixo.
As autoridades portuárias e a equipe médica do navio já implementaram protocolos rigorosos de biossegurança. As medidas incluem o isolamento clínico dos casos suspeitos, a desinfecção profunda das áreas comuns do cruzeiro e a coleta de amostras para testes laboratoriais genéticos. O objetivo é confirmar a natureza exata da cepa viral e garantir que a infecção seja contida antes do desembarque definitivo dos viajantes.