“Não era pra ter saído viva”: mensagens de voz vazadas mostram a suspeita confessando o crime e alegando ter influência policial para não ser presa. A vítima relatou o desespero para tentar proteger o bebê durante os ataques na Grande São Luís.
O caso da trabalhadora doméstica grávida agredida pela ex-patroa na Região Metropolitana de São Luís ganhou contornos ainda mais chocantes nesta semana. Áudios enviados pela própria agressora em um grupo de mensagens vieram a público, revelando não apenas a confissão das agressões, mas também um tom de crueldade e a alegação de impunidade baseada em supostas conexões com as forças de segurança.
O teor dos áudios e a confissão da agressora
As gravações que circulam nas redes sociais e agora compõem o inquérito policial expõem a frieza da ex-patroa ao relatar o crime para pessoas próximas. Em um dos trechos mais graves, a suspeita narra a violência sofrida pela funcionária e chega a declarar que a vítima “não era pra ter saído viva” do local.
Além da confissão do ataque físico, a agressora tentou demonstrar poder e intocabilidade. Em outro áudio, ela afirma com naturalidade que não se dirigiu à delegacia no momento da ocorrência porque “conhece um policial”. Portanto, isso teria facilitado a sua liberação, levantando graves suspeitas sobre a conduta dos agentes que atenderam o chamado inicial.
O desespero da vítima para proteger o bebê
O relato da trabalhadora doméstica escancara a violência desmedida do episódio. Ciente de sua condição de gestante, a vítima afirmou em depoimento que o seu único instinto durante a sessão de agressões foi tentar proteger o próprio ventre.
Segundo a trabalhadora, a ex-patroa e as outras pessoas envolvidas no ataque tinham plena consciência da gravidez. Apesar disso, “não se importavam” com o risco de um aborto ou com a integridade física da criança. A mulher precisou de atendimento médico após as agressões para avaliar o seu estado de saúde e garantir a estabilidade da gestação diante do trauma físico e psicológico sofrido.
Investigações e cobrança por Justiça
A repercussão dos áudios gerou uma forte pressão sobre as autoridades maranhenses. A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) assumiu as investigações e está apurando tanto os crimes de lesão corporal (com os agravantes da gestação e da relação de trabalho) e ameaça, quanto a suposta prevaricação ou favorecimento por parte da guarnição da Polícia Militar citada no áudio da agressora.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) informou que não tolera desvios de conduta. Além disso, acionou a Corregedoria para identificar e investigar os policiais militares que atenderam a ocorrência e supostamente liberaram a suspeita no local do crime. Organizações de defesa dos direitos das mulheres e dos trabalhadores domésticos acompanham o caso de perto, exigindo a prisão imediata da ex-patroa.