A polilaminina atua promovendo regeneração tecidual nervosa, muscular e pulmonar
A pesquisadora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina (pLN). A substância é derivada da laminina polimerizada com potencial para tratar lesões medulares traumáticas em tetraplégicos.
Entraves burocráticos e histórico da patente
De acordo com Tatiana, a interrupção no pagamento de taxas anuais entre 2015 e 2016 causou a perda da patente. O órgão responsável concedeu o pedido nacional PI0805852-0 — depositado em 05/09/2008 com prioridade de PI0704128 em 2007 — apenas em 2025. Esse atraso de 18 anos aproxima o registro do fim do seu prazo de validade de 20 anos.
Crise de recursos e perda do mercado internacional
A cientista salvou a patente nacional temporariamente ao pagar as taxas do próprio bolso por um ano. No entanto, a falta de recursos na UFRJ fez a patente internacional caducar de forma irrecuperável, o que permite cópias livres no exterior.
Potencial terapêutico e resultados clínicos
A polilaminina atua promovendo regeneração tecidual nervosa, muscular e pulmonar, com efeitos anti-inflamatórios e regenerativos comprovados em testes animais e iniciais em humanos, revertendo parcialmente ou totalmente paraplegia e tetraplegia em oito voluntários.
Investimentos e prazos para aprovação
Resultado de 25 anos de pesquisa de Sampaio, especialista em biologia da matriz extracelular, a substância já atraiu R$ 28 milhões do laboratório Cristália para testes clínicos, buscando aprovação da Anvisa em até três anos, priorizando lesões recentes (até 30 dias).
A cientista atribuiu a perda aos cortes orçamentários dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer, destacando o enfraquecimento deliberado da ciência pública brasileira. Portanto, sem a proteção internacional, o país perde controle econômico e royalties sobre uma tecnologia desenvolvida com recursos públicos.