O Dia Mundial da Prevenção do Câncer do Colo do Útero é celebrado em 26 de março. Essa doença, em quase 99% dos casos, ocorre devido à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). Essa infecção sexualmente transmissível é a mais comum no mundo e afeta principalmente as mulheres.
Alta incidência do Câncer do Colo do Útero no Brasil
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2025, mais de 17 mil mulheres receberão o diagnóstico da doença no Brasil. Esse número representa um risco significativo de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.
Além disso, esse tipo de câncer ocupa o terceiro lugar entre os que mais afetam o público feminino. Por isso, a detecção precoce é essencial para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
Impactos da pandemia na vacinação contra o HPV
Especialistas acreditam que a pandemia da Covid-19 afetou a vacinação contra o HPV. Isso ocorreu porque as restrições sanitárias e o fechamento das escolas reduziram a adesão às campanhas de imunização, muitas das quais ocorrem em ambientes escolares.
No entanto, dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, a vacinação avançou. A cobertura vacinal atingiu quase 85% do público-alvo, e entre os adolescentes de 14 anos, a adesão chegou a 96%. Comparando os anos de 2022 e 2023, o número de doses aplicadas cresceu 42%, passando de 4,3 milhões para mais de 6,1 milhões.
Os meninos também aumentaram sua participação na vacinação. Enquanto o aumento foi de 16% entre as meninas, entre os meninos chegou a 70%. Esse crescimento demonstra uma conscientização maior sobre a importância da vacina, já que o HPV é o principal responsável pelo câncer do colo do útero.
Atualmente, a vacina está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos.
A relação entre HPV e Câncer do Colo do Útero
O Ministério da Saúde alerta que 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida. O pico da transmissão acontece por volta dos 25 anos. Entre essas mulheres, aproximadamente 5% podem desenvolver o câncer do colo do útero em um período de dois a dez anos.
Segundo a oncologista Marcela Bonalumi, a infecção genital pelo HPV é muito comum. Em grande parte dos casos, ela não apresenta sintomas e se resolve espontaneamente até os 30 anos. No entanto, quando o vírus permanece no organismo, ele pode causar alterações nas células do colo do útero e levar ao câncer.
Prevenção: A vacina como aliada
Diante dessa realidade, a melhor forma de prevenção é a vacinação contra o HPV.
“A imunização também previne o câncer de vulva, ânus e vagina nas mulheres, além do câncer de pênis nos homens. O ideal é que a vacinação ocorra antes do início da vida sexual, reduzindo o risco de exposição ao vírus”, destaca a especialista.
Além da vacina, os exames ginecológicos regulares desempenham um papel fundamental na detecção precoce da doença. O Papanicolau, exame essencial para rastreamento, deve ser feito anualmente e, após dois exames normais consecutivos, pode ser repetido a cada três anos. Ele é indicado para mulheres entre 25 e 64 anos.
“O Papanicolau identifica lesões pré-cancerosas e permite um tratamento precoce, reduzindo significativamente os riscos”, reforça Marcela.
Mesmo as mulheres vacinadas devem realizar o exame, pois a vacina não protege contra todos os tipos do vírus HPV.
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Sinais de Alerta: Quando Procurar um Médico?
Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero costuma ser silencioso. No entanto, alguns sintomas podem surgir, como:
- Sangramento vaginal fora do período menstrual;
- Dor durante as relações sexuais;
- Corrimento anormal.
Nos casos mais avançados, outros sinais podem indicar a progressão da doença, incluindo anemia, dores nas pernas e costas, dificuldades urinárias ou intestinais e perda de peso inexplicável.
Dessa forma, manter a vacinação em dia e realizar exames preventivos são as melhores estratégias para reduzir os riscos da doença.