O governo dos Estados Unidos, pediu a libertação imediata do pastor Jin Mingri, também conhecido como Ezra Jin, detido na China. O pedido, feito pelo Departamento de Estado, ocorreu após uma nova onda de repressão do governo chinês contra grupos religiosos não registrados. Os filhos do pastor são cidadãos americanos
A prisão e a nova onda de repressão
De acordo com as informações de sua filha, as autoridades prenderam Jin na sexta-feira, em sua residência em Beihai, província de Guangxi. No mesmo período, as autoridades detiveram cerca de 30 líderes e membros da Igreja de Sião, ou os deram como desaparecidos.
Condenação e apelo dos EUA
O secretário de Estado Marco Rubio divulgou uma declaração condenando as prisões e pedindo ao governo chinês que garanta a liberdade religiosa a todos. “Essa repressão demonstra ainda mais como o Partido Comunista Chinês exerce hostilidade contra cristãos que rejeitam a interferência do Partido em sua fé e optam por adorar em igrejas domésticas não registradas”, afirmou Rubio.
O fundador da igreja de Sião
Com 56 anos, Jin é o fundador da Igreja de Sião, uma congregação evangélica não denominacional criada em 2007. O pastor participou das manifestações da Praça da Paz Celestial, em 1989, e, após sua conversão ao cristianismo, formou-se no Seminário Teológico Fuller, na Califórnia.
De cultos presenciais a transmissões online
As autoridades fecharam oficialmente a Igreja de Sião em 2018, após uma operação policial em seu templo, em Pequim. Desde então, os membros passaram a realizar os cultos de forma online, com uma ampla rede de seguidores espalhados pelo país. Segundo o The Wall Street Journal, as transmissões virtuais da igreja reuniam até 10 mil participantes em plataformas como Zoom, YouTube e WeChat.
Vigilância e tentativa de saída do país
A filha do pastor, Grace Jin Drexel, relatou que o pai continuou liderando a igreja de forma remota, sob vigilância constante. Sua esposa, Chunli Liu, mora nos Estados Unidos desde 2018 com os três filhos do casal. “Eles têm medo da influência do meu marido”, afirmou Liu em entrevista em vídeo.
Grace informou ainda que o pai tentou visitar a Embaixada dos EUA em Pequim para renovar o visto, mas foi interceptado por agentes, levado ao aeroporto e forçado a deixar a capital. A família não teve mais contato com ele desde a prisão, e ainda não há informações sobre possíveis acusações formais.
Risco de condenação por atividades online
O pastor Sean Long, líder da Igreja de Sião nos Estados Unidos, afirmou que há expectativa de que Jin enfrente acusações relacionadas à disseminação de conteúdo religioso online. Segundo Long, as novas regras impostas em setembro determinam que apenas canais registrados pelo Estado podem conduzir atividades religiosas, o que aumenta o risco de uma condenação severa.
Em declarações ao The New York Times, Grace Jin disse que o pai havia considerado deixar o cargo pastoral para se reunir com a família. “Parecia que algo grande ia acontecer de novo. Só não sabíamos quando ou em que medida”, afirmou.
Preocupação com a liderança da Igreja
Membros da Igreja de Sião expressaram preocupação com uma repressão ainda mais ampla. No domingo, notícias de novas detenções e desaparecimentos circularam entre os fiéis, que temem que toda a liderança da igreja seja presa, conforme relatado pelo The Wall Street Journal.
De acordo com o The Christian Post, o ativista Bob Fu, fundador da ChinaAid Association, declarou que esta é “a mais extensa e coordenada onda de perseguição contra igrejas clandestinas em mais de 40 anos”. Já Corey Jackson, fundador da Luke Alliance, outro grupo cristão sediado nos Estados Unidos, classificou a operação como “a mais significativa desde 2018″ e alertou que “a situação pode piorar ainda mais”.
O status da liberdade religiosa na China
A Constituição da China garante oficialmente a liberdade religiosa, mas o Partido Comunista Chinês, que adota o ateísmo como ideologia, reconhece apenas organizações religiosas aprovadas pelo Estado.
Estima-se que dezenas de milhões de cristãos frequentem igrejas domésticas, muitas das quais sofrem assédio policial. Mesmo instituições reconhecidas, como o Movimento Patriótico das Três Autonomias (protestante) e a Associação Católica Patriótica Chinesa, enfrentam vigilância e censura por parte das autoridades.
Sob o governo de Xi Jinping, o controle sobre grupos religiosos se intensificou. O regime passou a classificar comunidades não oficiais como seitas e incentiva cidadãos a denunciá-las, num cenário que líderes cristãos consideram cada vez mais hostil à prática de fé fora dos limites estabelecidos pelo Estado.