Na quinta-feira (18), senadores dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei para contestar as tarifas de 50% que o presidente Donald Trump impôs ao Brasil. O Senado analisará e votará o texto, que busca revogar a declaração de emergência nacional que Trump formalizou em 30 de julho para justificar a medida.
O presidente se baseou na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional (IEEPA), que permite a contestação de senadores.
Argumentos contra as tarifas: economia e empregos
Os senadores argumentam que uma guerra comercial com o Brasil aumentaria os custos para os americanos. Isso acaba prejudicando as economias de ambos os países e aproximando o Brasil da China. Nesse sentido, eles expressaram preocupação com a inflação e destacaram a importância do comércio bilateral, que movimenta anualmente mais de 40 bilhões de dólares em importações do Brasil.
De acordo com os parlamentares, esse comércio sustenta cerca de 130 mil empregos nos EUA e gera um superávit para os americanos. Eles mencionaram o café, que teve grande alta de preço e não é amplamente cultivado nos EUA. Esse produto seria um exemplo de que encareceria para os consumidores.
Acusações de vingança pessoal e abuso de poder
Os senadores, a maioria democratas e um republicano, criticaram a motivação de Trump. O senador Tim Kaine acusou o presidente de impor as tarifas para “tentar impedir que o Brasil processe um de seus amigos” — uma referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Kaine pediu que seus colegas defendam os interesses dos americanos, e não “vinganças pessoais mesquinhas”.
Já o senador Rand Paul questionou a autoridade de Trump para impor tarifas unilateralmente sob a IEEPA. De acordo com Paul, a política comercial é de competência do Congresso, não da Casa Branca.
Declaração da minoria
Por fim, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, classificou a declaração de emergência como falsa e um “flagrante abuso de poder”. A senadora Jeanne Shaheen reforçou a crítica, afirmando que as tarifas de Trump são, na verdade, um imposto sobre o bolso do cidadão americano comum.