Professores, maquinistas, farmacêuticos e funcionários de hospitais da França entraram em greve nesta quinta-feira (18). Ao mesmo tempo, estudantes do ensino médio bloquearam escolas, como parte de um dia de protestos contra os cortes orçamentários do governo.
Diante disso, os sindicatos exigem a anulação dos planos fiscais, mais investimentos em serviços públicos, aumento de impostos para os ricos e a revogação da impopular reforma da aposentadoria.
Impactos da greve em Paris e outras cidades
Em Paris, muitas linhas de metrô foram suspensas fora dos horários de pico. Alunos se mobilizaram para bloquear as entradas de escolas, com cartazes protestando contra a “austeridade”. Além disso, em frente ao Liceu Maurice Ravel, um protesto reuniu professores e representantes sindicais.
“Os trabalhadores são atualmente tão desprezados por este governo e pelo (presidente Emmanuel) Macron que, na verdade, isso não pode continuar assim”, afirmou um motorista de ônibus e representante do sindicato CGT.
Extensão dos protestos e adesão de setores
A greve afetou diversos setores. De acordo com o sindicato FSU-SNUipp, um em cada três professores do ensino fundamental e quase um em cada dois em Paris cruzou os braços. Além disso, os trens regionais foram duramente atingidos, e a produção nuclear da concessionária francesa EDF caiu levemente.
A Confederation Paysanne, sindicato de agricultores, também convocou mobilização, enquanto o sindicato dos farmacêuticos informou que 98% das farmácias podem fechar as portas.
Ao mesmo tempo, manifestantes se reuniram em uma rodovia perto da cidade de Toulon para reduzir o tráfego.
Resposta do governo e medidas de segurança
O ministro do Interior, Bruno Retailleau, confirmou que a polícia já removeu alguns bloqueios. Ele alertou para a presença de até 8 mil “encrenqueiros” e anunciou a mobilização de cerca de 80 mil policiais e guardas, além de unidades de choque, drones e veículos blindados. Mais de 20 pessoas já foram presas.
Como reflexo dos protestos, o transporte da tapeçaria de Bayeux, uma obra-prima histórica que seria emprestada ao Reino Unido, foi adiado.