Todos os envolvidos na cadeia de preparo e venda dos alimentos podem ser responsabilizados
A Polícia Civil considera improvável a hipótese de envenenamento intencional no caso da pizzaria investigada por provocar um surto de intoxicação alimentar, que resultou na morte de uma mulher e deixou mais de 110 pessoas doentes em Pombal, no Sertão da Paraíba.
O que diz o delegado do caso
O delegado afirmou que a dinâmica do caso levou a polícia a afastar essa possibilidade de envenenamento. Isso porque funcionários da pizzaria também consumiram o alimento e passaram mal na noite de domingo (15), data em que venderam as pizzas. De acordo com a família de Raíssa Maritein Bezerra e Silva, mulher que morreu após comer na pizzaria, ela pediu justamente uma pizza de carne de sol no local.
O delegado afirmou que o administrador comprou a carne no sábado (14) pela manhã e preparou a nata durante a tarde. Além disso, o homem negou que tenham exposto o local a veneno ou que o estabelecimento tenha passado por dedetização no dia.
Possíveis crimes investigados
A Polícia Civil apura dois crimes no inquérito. O primeiro envolve o consumo de alimento impróprio, previsto na Lei 8.137, que trata das relações de consumo. A infração consiste em vender, expor à venda ou entregar mercadoria em condições impróprias ao consumo, com pena de detenção de dois a cinco anos ou multa.
“A princípio, tem o crime relacionado ao consumo, que seria a principal linha de investigação. O mais importante é saber o que causou essas intoxicações. Quem tiver agido com negligência, ainda que de forma não culposa, pode responder. Pode ser o dono ou mesmo vendedores dos alimentos”, explicou o delegado.
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Homicídio culposo
O segundo crime investigado é o de homicídio culposo, em razão da morte da cliente, de acordo com o delegado. A equipe submeteu a vítima a exame toxicológico e recolheu amostras do corpo, dos alimentos e das pizzas. Os peritos estimam o resultado do exame para daqui a cerca de duas semanas.
“Passamos a considerar a morte dela um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos que as pessoas usaram e tentar descobrir a possível contaminação”, afirmou.
De acordo com a polícia, a negligência pode responsabilizar todos os envolvidos na cadeia de preparo e venda dos alimentos, caso a perícia a comprove. Até o momento, a polícia não intimou o dono da pizzaria a prestar depoimento.
O que disse o dono do estabelecimento
Em um vídeo enviado ao g1 pela advogada Raquel Dantas, que representa Marcos Antônio, dono do estabelecimento, ele disse que lamenta a morte da mulher de 44 anos e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.
“Quero salientar também que jamais eu tive a intenção de machucar qualquer pessoa, prejudicar qualquer pessoa. Porque eu sou jovem, tenho 24 anos e meu comércio é minha vida. Então, jamais iria me sabotar, jamais iria prejudicar, porque tudo o que conquistei foram seis anos de muita luta, muita renúncia e dificuldade. Minha última intenção seria prejudicar justamente os clientes que dão meu sustento, que dão meu pão”, disse.
Sobre essas investigações, ele afirmou que está colaborando com todos os órgãos citados e que também procura entender como aconteceu o caso que levou essa quantidade de pessoas a procurar atendimento médico.
A morte da mulher após comer na pizzaria
A polícia identificou como Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos, a mulher que morreu após comer em uma pizzaria. Na noite do domingo (15), ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve mais problemas graves na saúde.
Raíssa Meritein era engenheira agrônoma, servidora pública e descrita por familiares como alguém que era ‘alegre e acolhedora’.
“Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida”, disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.
Pronunciamento do hospital
Em nota, o Hospital Regional de Pombal afirmou que a “paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave”. Por volta das 8h59 desta terça-feira (17), a morte foi confirmada.
Ainda no domingo, após retornarem para casa, os dois começaram a passar mal e foram para o Hospital Regional, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã desta segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito nesta terça-feira (17).
A Polícia Civil e órgãos de saúde, como a Agevisa-PB, farão exames periciais com o material encontrado na pizzaria e no corpo da mulher, respectivamente.
O sepultamento da vítima ocorreu nesta quarta-feira (18), às 10h, no Cemitério São Francisco, também em Pombal.