Vários pontinhos no meio da imensidão azul do Oceano Pacífico formam as Ilhas Marshall. O país, que foi palco de testes nucleares dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, agora está no universo do futebol. Em meio ao temor pelo futuro, por conta da elevação do nível do mar, ela se tornou a última nação no mundo a montar um time de onze jogadores e jogar como uma seleção. Em agosto, os marshallinos enfrentam Guam, Ilhas Virgens Americanas e Ilhas Turcas e Caicos na Outrigger Cup, nos EUA.
Viver no Oceano Pacífico é saber que a sua casa, a sua rua, sua cidade e até o seu país podem deixar de existir em alguns anos. Essa é a realidade dos quase 39 mil moradores das Ilhas Marshall e de vizinhos da região. Com a elevação do nível do mar por conta das mudanças climáticas, o risco de tudo virar água é alto.
Palco de guerras
Afastadas da Austrália, da Ásia e da América do Norte, as ilhas foram inicialmente povoadas pelos austronésios, e depois serviram como ponto de passagem pelo Pacífico. O primeiro contato ocidental com a região ocorreu na época das Grandes Navegações, em 1526, com uma expedição espanhola. Depois, em 1788, foi a vez dos ingleses, que deram o nome do local em homenagem ao Capitão John Marshall. Missionários americanos foram para as ilhas cerca de 100 anos depois, e alemães passaram a controlar a região.
As primeiras disputas pelo território foram durante a Primeira Guerra Mundial. Ao lado da Tríplice Entente, o Império Japonês lançou um ataque naval e tomou as ilhas do Império Alemão. Anos depois, foi a vez dos Estados Unidos lançarem ataques, agora aéreos, sobre o Japão, que estava ao lado dos nazistas na Segunda Guerra Mundial.