A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden) da Câmara dos Deputados decidiu cobrar explicações do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O motivo é a decisão do governo Lula (PT) de rejeitar o pedido dos Estados Unidos para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O presidente da Creden, deputado Filipe Barros (PL-PR), anunciou que a comissão elabora um pacote de ações para enfrentar a atuação internacional dessas facções criminosas. Assim, ele considera desarrazoada a recusa do governo federal e afirma que ela ignora alertas emitidos pela própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Dessa forma, esses alertas apontam que a presença transnacional do PCC e do CV pode prejudicar as relações diplomáticas do Brasil com países vizinhos. “O governo fecha os olhos para o crescimento do crime organizado além das fronteiras nacionais. Isso compromete nossa segurança e reputação internacional”, declarou Barros.
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Câmara se posiciona
Na quarta-feira (7), os membros da comissão aprovaram a convocação de Ricardo Lewandowski e também do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Embora a convocação de Lewandowski esteja vinculada, inicialmente, ao asilo concedido à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, os parlamentares pretendem ampliar o escopo da discussão.
Além disso, Mauro Vieira enfrentará questionamentos sobre a atuação do Itamaraty em relação à crise na Venezuela. A Creden quer saber por que o Brasil demorou a reagir à situação dos opositores de Nicolás Maduro, que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas. Após uma operação com apoio dos Estados Unidos, o grupo foi transferido para território americano.