Nesta segunda-feira (10), o Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julgará o jogador do Flamengo, Bruno Henrique. Há dois meses, o tribunal condenou o atacante do Flamengo e puniu-o com 12 jogos de suspensão. Ele recorreu da decisão e atuou com o auxílio de um efeito suspensivo concedido pela justiça desportiva. No domingo, fez um gol na vitória sobre o Santos.
Recursos de defesa e acusação
O Flamengo entrou com um recurso no STJD contra a punição aplicada a Bruno Henrique. Além disso, o clube está otimista em mudar a decisão da 1ª comissão disciplinar, que considerou o atacante culpado por ter forçado um cartão amarelo, em um jogo contra o Santos em 2023, que beneficiou apostadores.
Dias depois, a Procuradoria do STJD também entrou com recurso para aumentar a pena de Bruno Henrique. A acusação destaca dois pontos: o jogador teve benefício pessoal com a informação, ao avisar o irmão Wander que tomaria o terceiro cartão; e houve, sim, prejuízo ao Flamengo, visto que o envolvimento nesta polêmica afeta o valor do ativo no mercado.
Logo, existem quatro cenários possíveis: absolvição, redução da pena, manutenção da suspensão de 12 jogos e aumento da duração do gancho.
Por que Bruno Henrique foi condenado?
Em abril deste ano, a Polícia Federal indiciou Bruno Henrique por fraude esportiva. As autoridades denunciaram o atacante do Flamengo no artigo 200 da Lei Geral do Esporte – fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado –, com pena de dois a seis anos de reclusão.
A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), e a Justiça Comum ainda julgará o atleta do Flamengo.
Outros envolvidos na investigação
Além de Bruno Henrique, também fazem parte da investigação Wander Nunes Pinto Júnior (irmão do atleta), Ludymilla Araújo Lima (esposa de Wander) e Poliana Ester Nunes Cardoso (prima do jogador), e Andryl Sales Nascimento dos Reis, Claudinei Vitor Mosquete Bassan e Douglas Ribeiro Pina Barcelos (amigos de Wander, segundo as investigações). Ludymilla e Poliana ficaram fora da lista de denunciados do STJD.
O fato investigado
A Polícia Federal iniciou a investigação em agosto do ano passado. Já em novembro, o jogador e outros suspeitos foram alvo de uma operação de busca e apreensão. Investigadores extraíram conversas do celular de Wander que embasaram o indiciamento dos suspeitos.
O atacante do Flamengo teria informado a Wander que tomaria um cartão amarelo em jogo contra o Santos, disputado em Brasília, em novembro de 2023 – o jogador estava pendurado com dois cartões amarelos. Apostas feitas por Wander, a esposa dele, uma prima e amigos chamaram atenção das empresas de bets, que estranharam o volume de dinheiro no cartão amarelo de Bruno Henrique.
Julgamento em 1ª instância
Bruno Henrique foi denunciado pela Procuradoria do STJD em vários artigos do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva): art. 243, §1º; art. 243-A, parágrafo único; art. 184 e art. 191, III. Além do artigo 65, II, III e V, do regulamento geral de competições da CBF de 2023.
Os auditores absolveram-no no artigo 243 do Código de Justiça Desportiva, que fala em manipular e prejudicar uma equipe de forma deliberada. No entanto, por 4 votos 1, os auditores decidiram que o atacante do Flamengo agiu de forma contrária à ética desportiva (artigo 243-A). Por esse motivo, a Comissão Disciplinar o condenou a 12 jogos de suspensão, além de o punir com multa de R$ 60 mil.