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Primeiro pastor preso em 78 anos na Coreia do Sul por opinião bíblica é libertado

Primeiro pastor preso em 78 anos na Coreia do Sul por opinião bíblica é libertado

Já de volta à rotina, ele cumprimentou os recém-chegados e orou pelos membros antes do culto

A prisão do pastor sul-coreano Hyun-bo Son provocou forte repercussão desde setembro. Foi a primeira vez, em 78 anos, que a Coreia do Sul deteve um líder religioso por se posicionar contra o governo.

Erosão da liberdade religiosa

Embora ele tenha pago fiança para sair em liberdade, o episódio levantou preocupações sobre uma possível erosão da liberdade religiosa no país. Já de volta à rotina, ele cumprimentou os recém-chegados e orou pelos membros antes do culto.

O culto teve início com música vibrante e, em seguida, algo pouco comum aconteceu: uma sessão de perguntas e respostas com o pastor.

‘Estado laico não interefere’

Son interagiu com as crianças, relembrando o tema do domingo anterior – a separação entre Igreja e Estado.

Um menino respondeu: “Separação entre Igreja e Estado significa que o Estado não deve interferir na Igreja.”

Se a lei não existisse, o governo poderia interferir na igreja, e não seríamos livres para adorar a Deus de acordo com a nossa consciência.

Condenação

O pastor Son afirma que foi pensando nessa geração que tomou a posição que acabou levando à sua prisão.

A atitude resultou em sua condenação por violar a lei eleitoral, após entrevistar um candidato a superintendente escolar alinhado a princípios bíblicos, em vez do nome apoiado pelo governo, que defendia políticas LGBT no currículo escolar.

O pastor explicou ainda: “Quando o governo de esquerda chegou ao poder, a liberdade religiosa está sendo suprimida. Há uma emenda ao código civil proposta em janeiro que estabelece que, se houver discursos ou crenças religiosas relacionados à política, o governo terá o poder de desmantelar, dissolver a igreja e revogar sua autorização. Investigações e inspeções poderão ser realizadas sem mandado, e os bens e propriedades da igreja poderão ser transferidos para o governo.”

Perseguição religiosa

Lee Jong-Wook, congressista de Busan, disse: “Podemos considerar isso perseguição religiosa. Acredito que a igreja é um lugar de consciência e de nossa fé; portanto, o governo não tem razão para interferir no que a igreja pode ou não dizer, e devemos proteger esses direitos.”

A prisão do pastor Son levou muitos líderes religiosos a afirmarem que despertaram para crescentes preocupações com a liberdade religiosa.

Em uma assembleia recente, eles se posicionaram contra o que classificam como supressão da liberdade de expressão e da fé por parte do governo.

Segundo os participantes, o encontro teve como objetivo defender o direito de viver e proclamar a verdade bíblica sem temor de punições estatais.

Defesa do Reino de Deus

Nesse contexto, o pastor Son encorajou líderes da igreja a não temerem a prisão por defenderem o Reino de Deus e afirmou estar disposto a pagar o preço necessário – até mesmo retornar ao cárcere.

O pastor Son também relatou como a graça de Deus o sustentou durante o período na prisão, quando evangelizou 85 detentos e chegou a escrever um livro em apenas três dias.

“Consegui evangelizar dentro da prisão de modo que, todos os domingos, aquilo não parecia um presídio, mas um santuário, porque todas as outras celas estavam adorando a Deus. Recebi recentemente uma carta de um detento. Na carta, ele dizia que sente um grande vazio e está triste porque o pastor Son não está mais na prisão”, disse.

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Leilane vilaça

Escritor e colunista

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