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Brasileiros afirmam conviver com o crime organizado no bairro onde moram

Levantamento revela que uma parcela significativa da população convive diariamente com a imposição de regras por facções e milícias em suas comunidades. O avanço territorial das organizações criminosas desafia a segurança pública do país.

Uma triste e preocupante realidade sobre a segurança no Brasil ganhou os holofotes. Um novo levantamento de percepção pública aponta que milhões de brasileiros afirmam conviver diretamente com a presença e o domínio do crime organizado nos bairros onde residem. Os dados escancaram o avanço territorial de grupos criminosos e a ausência do Estado em diversas regiões do país.

A rotina ditada pela criminalidade

A pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgado neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reflete um cenário em que a violência deixou de ser apenas uma estatística para se tornar uma regra de convivência. Moradores que relataram a presença do crime organizado em suas ruas descrevem uma rotina marcada pelo medo e pela “lei do silêncio”. Em muitas dessas áreas, são as facções do tráfico de drogas ou os grupos milicianos que atuam como o poder paralelo.

Esses grupos criminosos impõem suas próprias leis sobre a comunidade, determinando desde horários de circulação (toques de recolher) até a resolução de conflitos entre vizinhos. Para as famílias que habitam essas zonas, a presença de homens com armas são cenas lamentavelmente que incorporam ao cotidiano.

O impacto no comércio e na economia local

Além da coação psicológica e do risco à vida durante confrontos com forças policiais ou facções rivais, o domínio territorial afeta duramente a economia local. Em áreas dominadas, principalmente por milícias, pequenos empreendedores são frequentemente extorquidos mediante a cobrança de “taxas de segurança” ilegais.

O monopólio imposto sobre serviços básicos, como distribuição de gás, internet, transporte alternativo e até mesmo a venda de água, encarece o custo de vida dos moradores que já se encontram em situação de vulnerabilidade social. O medo de represálias impede que a grande maioria das vítimas denuncie os crimes às autoridades.

O desafio para as políticas de Segurança Pública

O dado indica que cerca de 68,7 milhões de pessoas convivem diretamente com o poder territorial exercido por essas organizações. Embora a percepção da presença desses grupos seja mais acentuada nas capitais (55,9%), o fenômeno já se capilarizou pelo país.

Nos municípios da região metropolitana, o índice é de 46,0%, e mesmo nas cidades do interior, mais de um terço da população (34,1%) identifica a atuação de facções em sua vizinhança. Essa expansão reflete, segundo o relatório, um processo de difusão territorial e nacionalização de grupos como o PCC e o Comando Vermelho. Por isso, transformaram o interior em entrepostos logísticos e espaços de disputa armada.

Para a maioria dos que reconhecem a presença desses grupos, a atuação do crime não é invisível: 61,4% dos entrevistados (42,2 milhões de pessoas) afirmam que o crime organizado influencia muito ou moderadamente as decisões e as regras de convivência local.

Os números acendem um alerta máximo para os governos estaduais e para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Especialistas apontam que o modelo tradicional de enfrentamento, baseado apenas em operações policiais de confronto bélico e incursões pontuais, tem se mostrado insuficiente para retomar territórios de forma definitiva.

A recomendação de estudiosos do setor é a adoção de estratégias que asfixiem o braço financeiro das organizações criminosas por meio de inteligência policial. Além disso, a retomada desses territórios exige a ocupação permanente do Estado não apenas com policiamento, mas com a chegada de serviços sociais, escolas, saneamento e oportunidades de emprego, evitando que os jovens sejam cooptados pelas facções.

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