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Congresso analisa vetos sobre doações a estados e municípios durante período eleitoral

Congresso analisa vetos sobre doações a estados e municípios durante período eleitoral

A medida era voltada a cidades pequenas que, por terem dívidas com a União ou com a Seguridade Social

Dos 44 dispositivos que o Executivo barrou, os parlamentares vão apreciar apenas quatro na sessão por causa do impacto direto deles no período eleitoral deste ano.

O que diz a lei

Para derrubar um veto presidencial, é necessária maioria absoluta de votos, em sessão conjunta de deputados e senadores. Se mantidos, os dispositivos permanecem fora da LDO 2026. Se derrubados, voltam a ter vigência e o governo terá de cumpri-los.

O Congresso aprovou, no final de 2025, uma regra que permitia ao poder público continuar fazendo doações. A Lei Eleitoral proíbe esse tipo de transferência no período que antecede as eleições, justamente para evitar que governos usem recursos públicos para favorecer candidatos. O dispositivo aprovado pelo Congresso criava uma exceção a essa regra.

Do que tratava a medida

A medida era voltada a cidades pequenas que, por terem dívidas com a União, ficam impedidas de celebrar contratos e convênios com o governo federal.

O governo, no entanto, vetou o dispositivo argumentando que a LDO não pode suspender exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, que é hierarquicamente superior.

O Executivo também apontou que a dispensa de adimplência violaria o artigo 195, parágrafo 3º, da Constituição Federal, que proíbe o poder público de beneficiar entes devedores da Seguridade Social.

Dinheiro federal para estradas estaduais e municipais

Os dois primeiros dispositivos em debate dizem respeito à infraestrutura de transporte.

O Congresso havia aprovado, na LDO 2026, uma exceção que permitiria à União destinar recursos orçamentários para a construção e manutenção de rodovias estaduais e municipais — desde que essas vias integrassem modais de transporte ou escoassem a produção.

Um segundo dispositivo estendia essa lógica à malha hidroviária brasileira.

Na prática, as emendas abriam caminho para que o governo federal financiasse obras que, constitucionalmente, são de responsabilidade de estados e municípios.

O Executivo vetou ambos os trechos, argumentando que as exceções ampliariam de forma significativa a competência da União e poderiam descaracterizar a finalidade dos programas orçamentários.

Princípios da especialização e da vinculação da despesa

O governo também invocou os princípios da especialização e da vinculação da despesa, além das boas práticas de planejamento orçamentário.

Por fim, se o Congresso derrubar os vetos nesta sessão, o governo federal ficará autorizado a repassar verbas para rodovias e hidrovias que não são de sua competência direta — o que parlamentares defendem como essencial para o escoamento da produção agropecuária e a integração logística do país.

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Leilane vilaça

Escritor e colunista

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