O pastor Samuel Câmara celebrou o marco, apontando Belém como o único lugar do mundo a possuir uma homenagem física dessa magnitude
As comemorações oficiais dos 115 anos da fundação da Assembleia de Deus no Brasil, celebradas no último sábado (20), em sua cidade-berço, ganharam um contorno de forte debate teológico e institucional na internet.
A governadora em exercício do Pará, Hana Ghassan, ao lado do pastor Samuel Câmara, líder da Igreja Mãe em Belém, inaugurou um memorial físico na Escadinha do Cais do Porto. A obra foi feita para eternizar o desembarque dos pioneiros suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren. No entanto, a presença de estátuas de bronze gerou reações adversas entre os próprios fiéis.
O monumento histórico na escadinha do cais
O renomado escultor Mario Pitanguy assinou a obra de arte, que a organização instalou estrategicamente no local exato onde os dois missionários desembarcaram. A chegada dos dois foi em 19 de novembro de 1910, sem dinheiro e sem falar o idioma local. Além disso, o pastor Samuel Câmara celebrou o marco, apontando Belém como o único lugar do mundo a possuir uma homenagem física dessa magnitude para a história da Assembleia de Deus.
O debate teológico: preservação de memória ou idolatria?
Apesar do clima de festa institucional, os internautas inundaram as plataformas digitais da denominação com críticas severas. Setores mais ortodoxos e internautas de outras vertentes cristãs acusaram a Assembleia de Deus de quebrar um de seus princípios mais defendidos: a rejeição à veneração de imagens e ícones humanos.
“Os católicos estão dizendo: ‘Cada um com a imagem do seu fundador’. E eu vou ter que concordar com eles”, ironizou um usuário em uma publicação que viralizou no Instagram.