Projeto liderado pela Sociedade Bíblica Cubana produz vídeos adaptados e alerta para a necessidade urgente de inclusão e capacitação de intérpretes dentro das congregações.
O acesso da comunidade surda aos textos religiosos está sendo ampliado em Cuba através de um projeto focado na tradução da Bíblia para a Língua de Sinais Cubana. A iniciativa, gerida pela Sociedade Bíblica Cubana, busca levar o Evangelho a um público historicamente marginalizado, adaptando a linguagem escrita para formatos visuais e acessíveis.
A coordenação e o desenvolvimento do projeto

A iniciativa de tradução já ocorre no país há mais de 14 anos e atualmente é coordenada por Yaily Valdés. Com formação em Direito e experiência na área de comunicação, ela ingressou na Sociedade Bíblica Cubana inicialmente para prestar suporte jurídico. Porém, acabou assumindo a coordenação geral do projeto após aprender a língua de sinais e integrar-se à comunidade surda.
Diferente das traduções convencionais para o público ouvinte, a Bíblia na linguagem de sinais não é impressa. Ela se faz inteiramente em formato de vídeo. A equipe responsável pela elaboração do material é composta de forma colaborativa por dois membros ouvintes e quatro surdos. Dessa forma, visa garantir a precisão teológica e a relevância cultural do conteúdo.
Os desafios da interpretação em vídeo
O processo de adaptação exige uma abordagem técnica específica. Segundo a coordenação do projeto, a equipe estuda o texto original e o expressa em sinais, focando na transmissão do significado e não apenas na tradução literal das palavras. O desafio de comunicação se agrava pelo fato de que muitos surdos no território cubano possuem acesso limitado à língua espanhola escrita. Isso exige explicação de conceitos bíblicos com alta riqueza de detalhes visuais.
Os resultados práticos do trabalho em equipe já estão em circulação. O projeto concluiu recentemente a tradução completa do Evangelho de Lucas. Portanto, esse marco gerou um acervo de mais de 100 vídeos adaptados, que atualmente são distribuídos e utilizados em plataformas digitais e em diversas igrejas pelo país.
O déficit de inclusão e os planos de expansão
As estatísticas apontam a existência de mais de 57 mil pessoas surdas em Cuba. Apesar do alto número, o projeto esbarra em um obstáculo estrutural: a falta de preparo das instituições religiosas para acolher essa população. Por isso, Valdés destaca que o ministério para surdos ainda se limita bastante e alerta para a ineficiência de atrair esse público para igrejas que não dispõem de profissionais capacitados para realizar a interpretação simultânea dos cultos.
Para reverter esse cenário de exclusão, a iniciativa tem investido não apenas na tradução dos vídeos, mas também na conscientização e no treinamento de líderes religiosos locais. Portanto, o plano estratégico da Sociedade Bíblica Cubana para os próximos anos é expandir o acesso ao material de tradução e aos intérpretes para províncias que ainda se encontram desassistidas por projetos de inclusão, com atenção especial às regiões de Guantánamo e Holguín.