Um novo levantamento global escancara a instabilidade no comando técnico do futebol nacional. O Brasil figura no topo do ranking das ligas que menos dão tempo de trabalho aos seus comandantes.
O Campeonato Brasileiro segue reafirmando a sua fama internacional de “moedor” de técnicos. Um estudo recente sobre a rotatividade no futebol colocou o Brasileirão como a sexta liga com o maior número de trocas de treinadores no mundo. Portanto, a estatística evidencia a pressão constante, a falta de projetos de longo prazo e a busca desenfreada por resultados imediatos que marcam o ambiente esportivo do país.
A instabilidade no comando técnico brasileiro
A cultura da demissão rápida no futebol do Brasil não é uma novidade, mas os números recentes reforçam como essa prática isola o país na contramão das grandes potências esportivas. No Brasileirão, é comum que a maioria dos clubes da Série A inicie e termine a temporada com comandantes diferentes. Muitas equipes chegam a ter três ou quatro técnicos no espaço de poucos meses, movidas pelo medo do rebaixamento ou por eliminações precoces.
O levantamento analisou o tempo médio de permanência dos treinadores em seus cargos e o volume de rescisões contratuais ao redor do planeta. Por isso, o Brasil desponta como o principal mercado de alta rotatividade entre as ligas de maior relevância técnica e financeira do mundo, superando com folga as ligas do primeiro escalão europeu, como a Premier League (Inglaterra) e a La Liga (Espanha), onde o planejamento de longo prazo costuma ser mais respeitado.
O Top 10 do “moedor” de técnicos
As ligas que superam o Brasil neste quesito estão, em sua grande maioria, localizadas em mercados menores da América Latina, Leste Europeu ou em campeonatos emergentes do Oriente Médio, onde a gestão passional e imediatista dita o ritmo dos clubes.
Abaixo, a configuração do Top 10 das ligas nacionais que mais trocam de treinadores no futebol mundial:
- Bósnia e Herzegovina
- Macedônia do Norte
- Sérvia
- Peru
- Arábia Saudita
- Brasil (Série A)
- Romênia
- Colômbia
- Chipre
- Grécia
O impacto da cultura de resultados imediatos
Especialistas em gestão esportiva apontam que a alta rotatividade no Brasileirão é um sintoma claro de problemas estruturais nos clubes. A pressão externa exercida pelas torcidas organizadas, a influência da imprensa e, principalmente, o calendário estrangulado forçam os dirigentes a usarem a demissão do treinador como um “escudo” para justificar falhas de planejamento das próprias diretorias.
Essa ciranda de técnicos também prejudica o desenvolvimento tático das equipes. Com pouco tempo para implementar metodologias de treinamento ou conhecer o elenco, os profissionais priorizam esquemas reativos para garantir a sobrevivência no cargo de um jogo para o outro, o que muitas vezes afeta a qualidade do espetáculo entregue aos torcedores.
Levantamento divulgado pelo Observatório de Futebol do CIES (CIES Football Observatory).