Os elementos citados na decisão apontam que as vantagens incluíam uso gratuito de aeronaves, estruturação de pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais.
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado Federal, é um dos alvos da 9ª fase da operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta-feira (18), pela PF (Polícia Federal). Os agentes cumprem mandado de busca e apreensão contra o parlamentar. O ex-sócio do Banco Master Augusto Lima também é alvo de busca e apreensão.
Petistas veem Guimarães e Jaques em rota de colisão
Ao todo, as autoridades cumprem 18 mandados, que o STF (Supremo Tribunal Federal) expediu, nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Além disso, a PF também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Vantagens econômicas”
Conforme consta na decisão que autorizou a operação, a PF identificou “elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar. As ações foram realizadas por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”.
Os elementos citados na decisão apontam que as vantagens incluíam uso gratuito de aeronaves, estruturação de pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais.
Apartamento de R$ 2,4 milhões
Entre outros pontos, as investigações apuram se Jaques Wagner teria recebido um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões como propina do empresário Augusto Lima.
De acordo com as informações, a PF identificou uma conversa de novembro de 2024, em que o senador repassava dados do imóvel a Augusto Lima, incluindo contato da construtora, unidade e valor.
Relembre a operação Compliance Zero
A primeira fase da operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025, quando a PF prendeu pela primeira vez Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Na ocasião, entre outros seis alvos, as autoridades também prenderam Augusto Lima. Naquele dia, o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Dias após a prisão de Vorcaro, a Justiça o soltou e ele passou a utilizar tornozeleira eletrônica. Em março, em uma nova fase da operação, as autoridades prenderam o ex-banqueiro novamente. Atualmente, ele está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Ao longo dos últimos meses, a investigação apontou uma rede complexa liderada por Daniel Vorcaro, que incluía articulação política e gerenciamento de um grupo responsável por intimidar desafetos, acessar sistemas restritos e obter informações sigilosas.