O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “está jogando um jogo muito errado”. A declaração foi feita em entrevista ao jornal El País.
Críticas à postura internacional
Segundo Lula, Trump parte do princípio de que o poder econômico, militar e tecnológico dos Estados Unidos define as regras globais. No entanto, o presidente brasileiro avalia que essa visão pode gerar consequências negativas.
Além disso, Lula destacou que prefere ser um líder respeitado, e não temido. Nesse sentido, ele reforçou críticas a decisões de Trump no cenário internacional.
“O Trump está jogando um jogo muito errado. Isso porque parte da premissa de que a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo. Porém, não pode ser assim, porque, no fundo, acaba criando problemas para os Estados Unidos”, afirmou.
Impactos econômicos e conflitos
Ainda durante a entrevista, Lula mencionou possíveis impactos econômicos de ações militares. Por exemplo, ele citou que um ataque ao Irã poderia elevar o preço dos combustíveis.
Consequentemente, segundo o presidente, quem pagaria a conta seria a população. Ou seja, decisões geopolíticas acabam refletindo diretamente no cotidiano das pessoas.
Questionamentos à ONU
Por outro lado, Lula voltou a criticar o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo ele, o órgão, criado para manter a paz, tem atuado de forma contraditória.
De fato, o presidente afirmou que “os senhores da paz se transformaram nos senhores das guerras”. Além disso, comparou o cenário global a “um navio à deriva”.
Defesa de mudanças na estrutura global
Diante desse cenário, Lula defendeu mudanças na Organização das Nações Unidas. Entre elas, está o fim do poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que a atual estrutura internacional está ultrapassada. “A geopolítica de 1945 não vale para 2026”, afirmou.
Alerta sobre riscos globais
Além disso, o presidente fez um alerta sobre conflitos internacionais. Segundo ele, uma eventual terceira guerra mundial seria “dez vezes mais devastadora que a segunda”.
Portanto, Lula defendeu que líderes globais ajam com mais responsabilidade. Sob essa perspectiva, ele criticou ameaças feitas por grandes potências.
“Trump não tem o direito de levantar-se de manhã e ameaçar um país. Antes de tudo, é fundamental que os poderosos tenham mais responsabilidade em manter a paz”, disse.
Relação com Trump e tarifas
Por fim, Lula também criticou as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. De acordo com ele, os argumentos utilizados não eram verdadeiros.
Inclusive, o presidente relembrou uma conversa com Trump. Na ocasião, ele defendeu diálogo e maturidade entre líderes.
“Dois senhores de 80 anos deveriam conversar com maturidade. Ainda que não concordemos ideologicamente, isso não impede o diálogo”, afirmou.