O crime bárbaro chocou a cidade de Imperatriz em abril de 2025. A suspeita de enviar o chocolate mortal aguarda o júri popular atrás das grades, enquanto a família clama por justiça.
Nesta quarta-feira (22), completa-se exatamente um ano da morte trágica de duas crianças após consumirem um ovo de Páscoa envenenado. A data reacende a dor da perda e a indignação diante da demora da Justiça em marcar o julgamento da principal acusada. A cidade de Imperatriz e todo o estado do Maranhão relembram nesta semana um dos crimes mais cruéis da história recente da região Tocantina.
O marco de um ano do crime do ovo de Páscoa envenenado
Apesar da imensa comoção social e da elucidação rápida do caso pelas autoridades policiais na época, a família das vítimas ainda convive com a angústia da espera processual. Um ano após a tragédia, a acusada de arquitetar o plano macabro, Jordélia Pereira Barbosa, ainda não sentou no banco dos réus para julgamento.
A morosidade no agendamento do júri popular intensifica a dor da mãe, Mirian Lira, que sobreviveu ao ataque e busca o fechamento deste ciclo de impunidade. O caso das crianças vítimas do ovo de Páscoa envenenado levanta questionamentos urgentes sobre o ritmo do sistema judiciário brasileiro, mesmo quando há provas contundentes e réus detidos preventivamente.
Como ocorreu o ataque?

Antes de tudo, é fundamental resgatar a dinâmica da emboscada que aconteceu em 16 de abril de 2025. Um mototaxista chegou à residência de Mirian, no bairro Mutirão, carregando uma encomenda sem saber do seu verdadeiro conteúdo. O pacote continha o ovo de Páscoa envenenado e um bilhete redigido pela acusada:
“Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”
Logo após o recebimento, a família consumiu o chocolate e começou a passar mal rapidamente. O saldo deste ato de extrema maldade foi devastador:
- Luís Fernando (7 anos): Faleceu no dia seguinte ao consumo do doce (17 de abril).
- Evely Fernanda (13 anos): Lutou pela vida na UTI por vários dias, mas veio a óbito no dia 22 de abril de 2025.
- Mirian Lira: Sobreviveu ao envenenamento após intenso tratamento hospitalar.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Jordélia utilizou disfarces (como peruca e óculos) para comprar o doce em uma loja. O ciúmes e vingança contra o atual companheiro de Mirian é a suspeita motivação do crime.
A situação jurídica atual da ré
A tramitação do processo segue na Vara Criminal de Imperatriz. Ainda em setembro do ano passado, o Poder Judiciário decidiu formalmente que a acusada será submetida a júri popular. Ela responderá pelos homicídios consumados das duas crianças e pela tentativa de homicídio contra a mãe delas. Contudo, a data oficial para a realização desta sessão de julgamento ainda não foi publicada.
Por isso, a ré permanece detida preventivamente desde os dias seguintes ao crime, visto que a polícia conseguiu rastrear a entrega do ovo com agilidade. A partir disso, a sociedade imperatrizense exige que a Justiça dê uma resposta legal rigorosa e definitiva para esse crime que ceifou a vida de dois inocentes.