O ex-banqueiro mantinha desde julho de 2025 um mapeamento sobre qualquer investigação que pudesse envolver as fraudes do liquidado Banco Master
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro buscou contato com os diretores da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e da PGR (Procuradoria Geral da República), Paulo Gonet, pouco antes de sua prisão, aponta um relatório preliminar divulgado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ameaça antes da prisão
Conforme a peça, pouco antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025, Vorcaro pediu que um interlocutor reforçasse com os diretores para que os subordinados das corporações não praticassem “alguma sacanagem”.
O conteúdo obtido pela investigação estava no bloco de notas do ex-banqueiro e o interlocutor não teve sua identidade revelada.
Informações confidenciais e monitoramento
De acordo com a nota encontrada no celular de Daniel Vorcaro, ele recebeu informações confidenciais por parte de amigos de dentro do Banco Central. Eles “ficaram preocupados” com a pressão feita pelo Polícia Federal e o Ministério Público contra o Bacen, antes da deflagração da Operação Compliance Zero.
O ex-banqueiro mantinha desde julho de 2025 um mapeamento sobre qualquer investigação que pudesse envolver as fraudes do liquidado Banco Master. Nesse sentido, Vorcaro passou a monitorar as autoridades para tentar influenciar agentes públicos.
Infiltração no banco central e viagem internacional
Segundo a investigação, a influência de Vorcaro conseguiu atingir o Banco Central, por onde soube da reunião sigilosa entre a Polícia Federal e o BCB sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Quatro dias depois, Vorcaro registrou o nome dos representantes da PF que estiveram na conversa e de outros três procuradores da República que não estavam no encontro. Mais tarde, ele planejou portanto, uma viagem a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para se encontrar com o interlocutor que estava presente na reunião e repassou as informações sigilosas sobre a investigação.
Acesso ao judiciário e suposto vazamento para a imprensa
Vorcaro também sabia em que vara o caso seria julgado e qual o nome do juiz que tramitava o pedido de medida cautelar. Quando interrogado pela delegada Janaína Palazzo sobre como obteve tal informação, o ele respondeu apenas que soube após publicação na imprensa.
O próprio ex-banqueiro quem vazou as informações para o jornalista autor do texto. Em prints divulgados na petição, o repórter recebia dinheiro de Vorcaro para publicar informações de interesse do banqueiro.