Investigadores da corporação policial entenderam que o ex-banqueiro não entregou novidades
Com a decisão da Polícia Federal (PF) de rejeitar a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, as negociações para um acordo seguem com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Recusa da Polícia Federal
A PF comunicou a recusa ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo fontes que acompanham as negociações, os investigadores decidiram rejeitar a proposta porque entenderam que Vorcaro não entregou novidades em relação ao que eles já possuem.
PF rejeita delação de Vorcaro, que mantém negociação com PGR
A negativa não extingue, porém, a possibilidade de a colaboração ainda ocorrer. Isso porque a PGR é titular da ação penal, ou seja, tem a responsabilidade constitucional de oferecer denúncia contra investigados suspeitos em uma investigação.
Assim, o órgão comandado por Paulo Gonet tem prerrogativa para conduzir a negociação de forma independente da Polícia Federal e seguir com as tratativas mesmo diante da recusa da corporação policial.
Em reunião com a defesa de Vorcaro na tarde de quarta-feira (20), a PGR sinalizou o interesse em prosseguir com a colaboração.
Leia mais: Receita abre consulta ao 1º lote de restituição na sexta-feira (22)
Os três pilares da negociação
Três pontos guiam o processo de negociação. Primeiro, os valores que Vorcaro deve ressarcir, algo no entorno de R$ 50 bilhões. Outro, a extensão do cumprimento da pena. O ex-banqueiro tem pedido para cumprir pena domiciliar pelo menos até o julgamento. E, por fim, o alcance político da colaboração.
Como mostrou a CNN, procuradores que acompanham o caso seguem debruçados sobre os anexos entregues pela defesa e ainda não bateram o martelo sobre aceitar ou rejeitar a proposta.
Caso a Procuradoria decida rejeitar a colaboração de Vorcaro, a tendência, segundo fontes que acompanham as conversas, é que as partes encerrem as negociações — seguindo o mesmo caminho da PF.
Nessa hipótese, as partes poderiam retomar as negociações eventualmente no futuro, a depender de os advogados do ex-banqueiro apresentarem novos elementos.
Relembre as investigações contra Daniel Vorcaro
A polícia prendeu Daniel Vorcaro em 4 de março, pela segunda vez, após deflagrar uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional. Os investigadores apuram crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
O mercado financeiro conhecia o ex-banqueiro por sua gestão arrojada e investimentos de alto risco. O Banco Master atraía recursos oferecendo CDBs com valores acima do mercado, uma prática que já causava incômodo em parte do setor financeiro.
Além dele, outros investigados, incluindo seu pai, Henrique Vorcaro, e seu cunhado, Fabiano Zettel, também continuam presos por suspeita de participação no esquema.